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Visão Holística Da Empresa

A visão holística de uma empresa equivale a se ter uma "imagem única", sintética de todos os elementos da empresa, que normalmente podem ser relacionados a vi- sões parciais abrangendo sua estratégia, atividades, informações, recursos e orga- nização, assim como suas inter-relações. Essa divisão tomou como base as visões do CIM-OSA, discutido a seguir no item "Nova leitura da sigla CIM". Como recursos deve-se entender os recursos financeiros que a empresa utiliza, seus equipamentos de produção e de trabalho, os métodos e técnicas empregadas, hardware, software, etc.... O conceito de organização aqui empregado é mais abrangente do que o nor- malmente conhecido. Ele considera a estrutura organizacional e suas inter-relações, a sua cultura, as pessoas e sua qualificação, as formas de comunicação, assim como a capacidade de aprendizado da organização. Pensar a empresa como um conjunto de business processes é o que mais se aproxima de um formalismo para a obtenção da visão holística.

RACIOCINAR COM BASE EM BUSINESS

 

Allaire, da Xerox, divide os processos empresariais em 3 tipos [GAR95]:


-    processos de gerenciamento: com os quais a alta cúpula dirige a empresa, inte- rage com os funcionários, toma decisão e se comunica. Esses processos marcam o contexto organizacional da empresa e determinam o estilo de trabalho. Como exem- plos desse tipo de processo têm-se: gestão estratégica e definição de investimento a longo prazo.
-    business processes (BP): definidos abaixo e escopo deste capítulo. Como exemplos têm-se: desenvolvimento de produtos, comercialização de produtos, fabri- cação de produtos e atendimento ao cliente.
-    processo de trabalho: são os elementos dos BP e representam o aspecto operacional de como se realizam as atividades dos BPs.

 

Para que os BPs possam servir de referência para essas diversas abordagens e mesmo para a manufatura integrada, eles devem ser mapeados [BAR93]. A organi- zação inteira deve pensar em termos de BP [GAR95]. O mapa do BP é essencial como base de referência para discussões, a fim de apoiar a obtenção sistemática de uma a visão holística da empresa. No entanto, a visão holística é algo abstrato. Exis- te então uma dificuldade de representação do BP.

 

REPRESENTAÇÃO DE BUSINESS PROCESS

 

Uma adaptação da técnica SADT foi utilizada com sucesso em alguns casos prá- ticos, no mapeamento do BP [ROZ95a, TIB95]. Esta representação tem três níveis. No primeiro coloca-se uma representação analógica do business process. No se- gundo nível as atividades estão listadas dentro de caixas interligadas com flechas, que indicam as informações que entram e saem das atividades. Dentro de cada cai- xa são colocadas siglas que indicam os recursos utilizados na atividade correspon- dente, assim como a organização responsável pela sua realização. Com esses dois primeiros níveis monta-se um “pôster”, que fornece uma visão abrangente do BP (figura 8). Neste pôster estão também listados os significados das siglas de recursos e organização. No terceiro nível detalham-se as atividades, utilizando-se texto estru- turado, no qual o procedimento de uma caixa do segundo nível é documentado. Este nível pode servir de referência, ou mesmo estar em consonância com a ISO 9000.

Quando o BP torna-se completo, aumenta a dificuldade de se manipular o seu modelo, principalmente quando existirem visões complementares, por exemplo um MER (Modelo Entidade Relacionamento) para a representação da visão informação. Para apoiar essa manipulação existem hoje ferramentas computacionais disponíveis no mercado [ROZ95b].

 

Uma outra tecnologia disponível parece que pode ser o caminho para a criação de software no futuro. Essa tecnologia tem a sigla BPA (business process automa- tion) ou BPE (business process execution) e seu princípio está na automação de atividades específicas definidas em um BP resultante, por exemplo, de um trabalho de Reengenharia. O desenvolvimento desses building blocks de software específi- cos seria realizado com um ferramenta de desenvolvimento orientada por objeto  com grande produtividade e alto grau de abstração.

 

A homogênea parte do princípio que existem uma base de dados única para to- dos os aplicativos [PET92]. Isto é conseguido através de sistemas integrados, que contém teoricamente todos os aplicativos que uma empresa de manufatura necessi- taria. Esses sistemas são bem flexíveis, pois podem ser configurados para diversas alternativas. O problema maior desses sistemas integrados é o seu tempo e custo  de implantação. Hoje, no entanto já surgem sistemas integrados baseados na arqui- tetura cliente-servidor, com cliente Windows TM Assim, esses aplicativos podem fa- zer uso da tecnologia OLE (object link embebed), o que facilita a integração funcio- nal com outro aplicativo que trabalhe também com o padrão OLE. O mesmo aconte- ce no mundo UNIX com o padrão CORBA. Em futuro próximo aguarda-se que tanto um padrão único seja adotado para qualquer plataforma de hardware. O problema ainda fica na integração da base de dados, pois os modelos dos sistemas integrados normalmente fazem um uso extenso da integridade referencial, dificultando a troca on-line de dados com aplicativos não nativos no sistema integrado.

 

A integração heterogênea, como o próprio nome diz, preocupa-se em integrar sistemas distintos, desenvolvidos por fornecedores diferentes [PET92]. Ela toma como base um repositório de dados também conhecido como meta base de dados, que é uma espécie de dicionário de todos os dados que estão nas bases de dados de cada um dos aplicativos a serem integrados. A grande desvantagem aqui é o ar- mazenamento redundante de dados. Por utilizar sistemas diferentes pode acontecer que em um ambiente heterogêneo existe também uma redundância das funções ofe- recidas por dois aplicativos ou mais. Um exemplo de uma integração deste tipo pode ser visto no Ambiente de Engenharia Integrado desenvolvido pelo autor deste e que utiliza sistemas comercias [ROZ95a, TIB95]. Esse princípio de se trabalhar com me- ta base de dados pode também ser utilizado na integração de diversos building- blocks da tecnologia BPA.

 

A integração depende de dois fatores básicos: educação e metodologia.

 

A integração começa com educação, passa por educação e continua com educação. Utiliza-se aqui o significado amplo do termo educação, que se inicia fora das empresas e continua por toda a vida profissional do indivíduo.

 

A metodologia deve ser um frame de métodos, técnicas e ferramentas, que o indivíduo educado (ou grupo de indivíduos) pode acessar e utilizar conforme a sua necessidade específica.

 

PAPEL DA ENGENHARIA NA EMPRESA INTEGRADA

A visão departamentalista da empresa deve ser substituída pela visão por pro- cessos. No entanto, muitas empresas adotam essa nova filosofia até a última con- sequência obtendo resultados negativos.Criar um setor que só cuide do desenvolvimento de novos produtos pode ser um desvio da filosofia por processos. O desenvolvimento de produtos é essencialmente multidisciplinar. Corre-se o risco de se criar um nicho de especialistas, que em pouco tempo estarão ultrapassados.


O desenvolvimento de produtos deve ser realizados por time multifuncionais, composto por pessoas de diversas áreas, para exatamente poder unir os seus dife- rentes skills atualizados. Um departamento específico para desenvolvimento de pro- dutos poderia neste caso ser somente um catalizador e gerenciador deste processo. Um departamento de engenharia então dentro deste conceito deve ter sua com- petência bem aprimorada para gerenciar o processo de desenvolvimento de produ- tos, fornecendo “consultores internos” nas atividades mais técnicas, como por exemplo em cálculos estruturais, para diversos times. Além disso, outros tipos de consultores devem atuar como atores em outros processos.

ENGENHARIA SIMULTÂNEA NA EMPRESA INTEGRADA

Com base nos conceitos apresentados, pode-se definir Engenharia Simultânea como sendo a filosofia de atuação do business process no processo de desenvolvi- mento (ou alteração) de novos produtos, visando:


•    Um aumento de qualidade do produto, com foco no cliente;
•    Uma diminuição do ciclo de desenvolvimento e
•    Consequente diminuição de custos.


Esta filosofia toma como base na sinergia entre seus agentes, que devem traba- lhar em equipes multifuncionais, formadas por pessoas de diversas área da empre- sa. Esta equipe deve crescer e diminuir ao longo de sua existência, mantendo sem- pre um mesmo núcleo de pessoas, que acompanham o desenvolvimento. Durante algumas atividades deve fazer parte desta equipe clientes e fornecedores, quando se trabalhar no conceito de cadeia de suprimentos, conforme a posição da empresa dentro desta cadeia. Todo o trabalho desta equipe deve ser suportado por recursos, métodos e técnicas integradas, tais como: QFD, FMEA, Tagushi, etc.... Apesar da repetição, deve-se sempre enfatizar que o foco do trabalho deve estar concentrado nas necessidades do cliente.


Apesar de longa, essa definição poderia ainda ser considerada incompleta, pois, por exemplo, não citou a melhoria contínua e outros conceitos, que a tornariam mui- to mais extensa. Na figura 12 pode-se obter uma visualização gráfica desta defini- ção.
O importante aqui é ressaltar que todos os elementos da empresa envolvidos nesta definição (resumidamente agrupados neste trabalho em atividades, informa- ção, organização e recursos) devem estar “desenhados” no modelo do business process.

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