
PROJETOS
O ATO DE ESTUDAR
Os cursos de pós-graduação têm como um dos seus objetivos desenvolver nos estudantes o espírito científico e a prática de trabalhos técnicos. Entretanto, nada se conseguirá neste sentido se os iniciantes em trabalhos intelectuais não tiverem adquirido hábitos de estudo sistemático e eficientes através da utilização de métodos e técnicas adequadas.
“Imaginamos o iniciante no trabalho científico como aquele que, implicando num processo de autodesenvolvimento, vai paulatinamente se transformando: terá que ser antes estudioso para, em seguida, tornar-se trabalhador intelectual, pesquisador e, finalmente, autor. Essas fases, claro, não se excluem nem cessam pela aparição ulterior; antes, se completam e se superpõem a partir de determinado momento de cada uma.” (Salomon, 1994, p. 20-21)
Desse modo. a primeira etapa que o aluno precisa vencer para se tornar um estudioso é conhecer e utilizar procedimentos que facilitem os seus estudos. Pesquisas realizadas comprovam a validade de tal afirmativa.
O ensino superior exige dos universitários:
autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto atividade didática rigorosa, crítica e criativa;
projeto de trabalho intelectual individualizado, apoiado em material didático e científico que se constitui, basicamente, na bibliografia especializada;
isso nos leva à questão da formação da biblioteca pessoal dos estudantes.
Os livros são caros, tornam-se ultrapassados com alguma rapidez, e o hábito de utilização de cópias dificulta a formação de acervos pessoais. Apesar do exposto, os estudantes devem se conscientizar de que existem livros fundamentais nas diferentes áreas do conhecimento e que devem ser adquiridos. A assinatura de revistas especializadas é um hábito a ser cultivado, uma vez que os relatórios de pesquisa e as descobertas nas diferentes áreas do conhecimento, antes de aparecerem em livros, são publicadas em revistas e jornais. As revistas também oferecem a oportunidade de se ampliar a bibliografia sobre determinado assunto com novas referências.
As universidades e outras instituições possuem bibliotecas, embora em algumas delas o acervo seja limitado e pouco renovado. De qualquer maneira, o estudante deve frequentá-las, explorá-las. Lá se encontram obras de referência geral, periódicos, livros, dissertações de mestrados, teses de doutorado etc. As bibliotecas são organizadas no sentido de auxiliar os leitores e pesquisadores. Assim, seu acervo se apresenta classificado por assunto, título e autor, em fichas individuais reunidas em fichários por ordem alfabética. Nas fichas, além de dados sobre a obra e o autor, está registrada a referência da obra (código da biblioteca), através da qual ela é localizada nas prateleiras. Muitas bibliotecas estão hoje informatizadas oferecendo uma alternativa de organização mais moderna.
Além do estudo, através de fontes bibliográficas, outras modalidades de aprendizagem são os encontros, seminários, congressos, palestras, mesas redondas etc., que devem acompanhar o estudo pela vida toda.
A princípio como participante, em seguida fazendo pequenas comunicações e, no decorrer da vida profissional, integrando mesas-redondas, fazendo palestras etc. Outro aspecto a considerar, principalmente por todos aqueles que estudam e trabalham, é a programação das atividades de estudo e a divisão adequada do tempo. Não se pode fazer um curso se não houver tempo disponível para estudar e refletir.
Observem as recomendações de Galliano (p.61) sobre a utilização do tempo:
• Planeje seu tempo – essa é a forma correta de “ganhar” tempo para o estudo.
• Programe a utilização de períodos vazios em sua atividade.
• Substitua o horário de uma ou mais atividades não-essenciais para obter tempo de estudo.
• Não estabeleça períodos muito longos de estudo sem pausa para descanso.