
PROJETOS
INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PESSOAS
Existem muitas visões diferenciadas sobre a origem da Administração de Recursos Humanos. Entretanto, existe um certo consenso entre os estudiosos de que a ARH – Área de recursos humanos, de um modo informal, já existia nas primeiras civilizações mesopotâmicas (egípcia, hebreia, etc.). Posteriormente nos Impérios Babilônico, Medo-Persa, Grego e Romano a ARH se desenvolveu bastante. Os principais precursores da Administração Científica do Trabalho são os seguintes:
Frederic Winslow Taylor (1856-1915)
Esse engenheiro norte-americano foi o responsável pela difusão de ideais sobre organização nas empresas, tais como:
• Estudo de movimentos e tempos para a determinação do padrão de trabalho;
• Estudo do sistema de salários diferenciados;
• Divisão do trabalho;
• Seleção adequada dos trabalhadores de modo que cada um execute o trabalho para o qual está melhor preparado e é mais inclinado;
• Criação de espírito de colaboração entre a administração e os operários;
• Subdivisão da empresa em vários setores, criando o setor de Recursos Humanos (relações Industriais);
• Divisão do trabalho entre os vários departamentos, de acordo com o princípio da especialização.
Henry Lawrence Gantt (1861-1919)
Esse engenheiro norte-americano formulou várias teorias sobre relações humanas no trabalho, além de um sistema de remuneração de trabalhadores.
Frank B. Gilbreth e Lílian M. Gilbreth (séc. XIX-XX)
Este casal de norte-americanos dedicou toda a sua vida aos estudos dos movimentos no trabalho. Estabeleceram a sequência do tipo de movimentos adequado para um trabalho mais rápido e eficiente.
Henry Fayol (1841-1925)
Nascido na Turquia e morreu em Paris, França. Fayol desenvolveu estudos sobre como dirigir pessoas e atividades. Destacou as qualidades exigidas de um gerente de empresas, para que obtenha êxito nas decisões administrativas (planejamento, organização, direção e controle).
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Administração de Recursos Humanos (ARH), Administração de Pessoas, Gestão de Pessoas (GP), Gestão de Recursos Humanos (GRH) são termos utilizados como sinônimos para designar a área ou departamento da organização destinado ao gerenciamento das pessoas que ali trabalham. São atribuições da GP em uma organização:
• Traçar o perfil dos candidatos às vagas a serem preenchidas;
• Fazer o recrutamento e seleção de pessoas para ocupar cargos vagos;
• Cuidar da documentação pessoal dos funcionários;
• Informar os funcionários quanto aos seus direitos e deveres trabalhistas;
• Promover a capacitação, aprimoramento e desenvolvimento dos trabalhadores;
• Implementar políticas de cargos, salários e benefícios indiretos;
• Organizar o trabalho dos empregados de tal modo a aumentar a produtividade;
• Implementar programas de melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores;
• Promover a assistência social com os trabalhadores e suas respectivas famílias;
• Implementar os programas de segurança organizacional;
• Mediar conflitos entre patrões e empregados;
• Outras atribuições.
O Departamento de Gestão de Pessoas de uma grande organização, geralmente possui ligado a si os seguintes setores:
• Setor de pessoas: registro de funcionários, folha de pagamento, benefícios, obrigações legais, férias, 13.º salário, rescisões de contratos, resilições, outros.
• Treinamento e Desenvolvimento de pessoal: capacitar os recursos humanos contratados tanto no âmbito comportamental como nos aspectos técnicos específicos de suas atividades.
• Relações internas: elo de ligação entre os colaboradores e a direção da organização.
• Segurança industrial (organizacional): conjunto de medidas adotadas visando minimizar os acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e capacidade do trabalhador. Envolve: EPI, CIPA, SESMT, PCMSO, PPRA, PPP.
• Segurança patrimonial: segurança dos bens da organização e atua na contraespionagem industrial.
• Assistência social: responde pelo bem-estar e integração social dos funcionários.
Nas Micro e Pequenas Empresas a Gestão de Pessoas, geralmente, é realizada pelo Departamento de Pessoas (DP).
As profundas e rápidas mudanças no cenário mundial em decorrência da supremacia da Era da Informação sobre a Era Industrial mudaram as Relações Industriais em Administração de Recursos Humanos e está em Gestão de Pessoas. Os novos desafios do terceiro milênio, como a globalização, tecnologia, informação, conhecimento, serviços, ênfase no cliente, qualidade, produtividade e competitividade passaram a exigir uma profunda mudança estrutural, comportamental e cultural, ou seja, uma nova forma de administração de talentos e do capital intelectual. No contexto atual, o conceito de GP está baseado nas pessoas como parceiros da organização, ou seja, as pessoas são vistas como seres humanos, como ativadores inteligentes de recursos organizacionais e como parceiros proativos. Assim, as práticas modernas de Gestão de Pessoas envolvem seis processos básicos:
• Processos de agregar pessoas
• Processos de aplicar pessoas
• Processos de recompensar pessoas
• Processos de desenvolver pessoas
• Processos de manter pessoas
• Processos de monitorar pessoas
OBJETIVOS DO ESTUDO DA GESTÃO DE PESSOAS
Diante desse contexto , o estudo da Gestão de pessoas, tem como objetivos levar aluno/empresário a:
• Consolidar conceitos relacionados à Gestão de Pessoas;
• Conhecer os processos básicos da Gestão de Pessoas;
• Compreender os desafios da Gestão de Pessoas;
• Conhecer as políticas de Gestão de Pessoas mais utilizadas pelas organizações modernas;
• Compreender os mecanismos práticos da Gestão de Pessoas e sua importância nas organizações.
AS DIFERENTES ERAS DAS ORGANIZAÇÕES
As organizações estão passando por mudanças e transformações a cada dia:
• Introduzindo novas e diferentes tecnologias;
• Modificando os seus produtos ou serviços;
• Alterando o comportamento das pessoas;
• Mudando os seus processos internos.
As organizações estão sempre mostrando diferentes características na sua estrutura e nos seus processos.
Essas alterações provocam constantes impactos na sociedade e na vida das pessoas, acelerando cada vez mais as mudanças ambientais.
Três eras das organizações no século XX: ____________________________________________________________
• Era de industrialização clássica;
• Era de industrialização neoclássica;
• Era da informação e do conhecimento.
ERA DE INDUSTRIALIZAÇÃO CLÁSSICA
Período
1900 a 1950. Representa o período da industrialização brasileira (Revolução Industrial Brasileira).
Características das organizações no período
Formato piramidal;
Criação do modelo burocrático;
Centralização das decisões no topo das organizações;
Criação de regras e regulamentos para disciplinar e padronizar o comportamento dos participantes.
A cultura organizacional predominante era voltada para o passado e para a conservação das tradições e valores ao longo do tempo. As pessoas eram consideradas recursos de produção, juntamente com outros recursos organizacionais, como máquinas, equipamentos e capital.
A Gestão de Pessoas = Relações Industriais. Existiam três fatores tradicionais de produção:
• Natureza – Matéria-Prima;
• Capital – recurso financeiro;
• Trabalho – Produção. O lado humano da organização era esquecido.
O homem era considerado um apêndice da máquina. O mundo estava mudando devagar.
As mudanças eram: Lentas, Suaves, Progressivas, Paulatinas, Previsíveis.
ERA DA INDUSTRIALIZAÇÃO NEOCLÁSSICA
Período
1950 a 1990. Teve o seu início com o final da segunda grande guerra mundial.
Características das organizações no período
• O mundo começou a mudar mais intensamente.
• As mudanças passaram a ser mais rápida, mais intensas e pouco previsíveis.
• A velocidade da mudança começou a aumentar.
• As transações comerciais passaram da amplitude local para regional, de regional para internacional e tornaram-se gradativamente mais intensas.
• A competição entre as empresas ficou mais acentuada.
• O velho modelo burocrático, centralizador e piramidal tornou-se inflexível e vagaroso demais para acompanhar as mudanças que ocorriam no ambiente.
As organizações tentaram novos modelos de estrutura que pudessem proporcionar-lhes mais inovação e melhor ajustamento às novas condições. Nesse período, houve uma melhoria, mas não o suficiente, pois não removia o emperramento da estrutura funcional. Houve a fragmentação das grandes organizações em unidades estratégicas de negócios para torná-las melhor administráveis e mais ágeis.
A cultura organizacional deixou de privilegiar as tradições passadas e passou a concentrar-se no presente, enquanto o conservantismo cedeu lugar à inovação. As Relações Industriais foram substituídas por Administração de Recursos Humanos. As pessoas passaram a ser vistas como recursos vivos e não como fatores apenas de produção. A tecnologia passou por incrível e intenso desenvolvimento e começou a influenciar poderosamente a vida dentro das organizações e as pessoas que delas participavam. Na década de 1980 o mundo continuava mudando. E as mudanças já eram muito velozes e rápidas.
ERA DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO
Teve seu início por volta de 1990. É a época que estamos vivendo atualmente. Suas características principais são as mudanças, que se tornaram rápidas, imprevistas, inesperadas. Peter Drucker foi o arauto que anteviu essa poderosa transformação mundial. A tecnologia trouxe desdobramentos imprevistos e transformou o mundo em uma aldeia global. A informação (Internet inaugurada em 1995) passou a cruzar o planeta em milésimos de segundo. A tecnologia da informação provocou o surgimento da globalização da economia: a economia transformou-se em economia mundial e global. A competitividade tornou-se mais intensa entre as organizações. O mercado de capitais passou a migrar volatilmente de um continente para outro em segundos à procura de novas oportunidades de investimentos, ainda que transitórias. A estrutura organizacional anterior tornou-se insuficiente para dotar as organizações da agilidade, mobilidade, inovação e mudança necessárias para suportar as novas ameaças e oportunidades. Os processos organizacionais tornaram- se mais importantes do que os órgãos que constituem a organização. Os cargos e funções passaram a ser constantemente definidos e redefinidas em razão das mudanças no ambiente e na tecnologia. Os produtos e serviços passaram a ser continuamente ajustados às demandas e necessidades dos clientes mais exigentes.
A estrutura das organizações passou a utilizar equipes multifuncionais de trabalho com atividades provisórias voltadas para missões específicas e com objetivos definidos. A organização do futuro vai funcionar sem limites de tempo, espaço ou distância. Haverá uso totalmente diferente do espaço físico. Escritórios com salas particularizadas darão lugar a locais coletivos de trabalho. As funções de retaguarda serão realizadas na casa dos funcionários. As organizações virtuais serão interligadas eletronicamente e sem papelórios, trabalhando melhor, de maneira mais inteligente e mais próxima do cliente.
O recurso mais importante deixou de ser o capital financeiro e passou a ser o conhecimento. O dinheiro continua a ser importante, mas mais importante ainda é o conhecimento sobre como usá-lo a aplicá-lo rentavelmente. O emprego começou a migrar intensamente do setor industrial para o setor de serviços. O trabalho manual foi substituído pelo trabalho mental, apontando para uma era da pós-industrialização fundamentada no conhecimento. As pessoas – e seus conhecimentos e habilidades mentais – passaram a ser a principal base da nova organização. A Administração de Recursos Humanos cedeu lugar a uma nova abordagem: a Gestão de Pessoas. As pessoas deixaram de ser simples recursos (humanos) para serem vistas como seres dotados de inteligência, conhecimentos, habilidades, personalidades, aspirações e percepções.