
PROJETOS
ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS
O PROCESSO DE ELABORAÇÃO
E DE ANÁLISE DE PROJETOS
No que se refere aos custos com o projeto, constata-se que os gastos com os estudos de viabilidade, normalmente são os menores de todos os custos de investimento. No entanto, o estudo de viabilidade é de vital importância para a decisão de investir. Isto ocorre não só para se analisar e selecionar as oportunidades de investimento que sejam mais convenientes, como também ao se evitarem investimentos que gerarão resultados negativos e ou mal dimensionados. Além disso, como já se observou, a decisão estratégica de investimento apresenta-se como pouco flexível, de difícil reversão (por exemplo, construção de prédios), de impacto demorado no tempo, e, normalmente, requerendo grandes volumes de recursos.
Devemos considerar que as decisões tomadas nesta fase de viabilidade irão influir sobre toda a vida útil da empresa, de modo que o grau de liberdade operacional tende a ser muito menor. Este fato tende a ser mais importante em função de setores que exigem grandes investimentos de capital, como as grandes indústrias de siderurgia, papel e celulose, cimento, química, etc. Apesar do que dissemos sobre a importância de elaborar um projeto prévio, sabemos que em muitas cooperativas a análise de viabilidade não é feito ou só é realizado um projeto de financiamento que é assumido como se fosse o projeto de viabilidade. Um dos motivos que pode explicar isso é que a análise de viabilidade requer tempo e recursos e estes fatores podem ser escassos ou caros, quando a empresa não tem tradição de planejamento.
É preciso, então, que o processo de elaboração e análise de projetos seja realizado levando-se em conta alguns fatores básicos. Inicialmente, devemos considerar o fato de que uma análise de viabilidade é feita com base em projeções. Além disso, é frequente que cada fase de verificação da viabilidade corresponda a um processo de decisão aplicada a um problema que contempla muitas variáveis, com limites não muito bem definidos e com informações muitas vezes incompletas. Isso significa a existência de riscos consideráveis. Por isso, é importante a cooperativa considerar dispender recursos e tempo na análise de viabilidade de modo proporcional ao risco que o projeto apresenta.
Assim, se a opção de investimento colocar em risco a sobrevivência e a rentabilidade do negócio na cooperativa, e apresentar um grau de risco elevado disto acontecer, então quantias maiores de recursos devem ser gastas para a análise de viabilidade. É importante observar que o risco pode estar associado a uma diversificação de projetos que requerem um volume elevado de recursos para a cooperativa. Por outro lado, a experiência diz que os processos de busca, coleta e processamento de informações ficam longe da certeza absoluta. Como se sabe, isto decorre, em parte, da incerteza inerente a qualquer processo de projeção de períodos futuros em negócios.
DEFINIÇÃO E TIPOS DE PROJETOS, ROTEIROS, ELABORAÇÃO E ESTRUTURAS
Definição e tipos de projetos
O planejamento e a execução de qualquer investimento público ou privado deve ser realizado a partir de um projeto. Com o entendimento de que um projeto é o conjunto de informações internas e/ou externas à empresa, coletadas e processadas com o objetivo de analisar, e se for viável, implantar uma decisão de investimento. Nestas condições, o projeto não se confunde com as informações, pois ele significa um modelo que incorpora informações qualitativas e quantitativas, e simula a decisão de investir e suas implicações. A classificação do projeto por tipo dependerá do objetivo. Se o objetivo for o de classificar o tipo de projeto em função do setor econômico, onde se processa o investimento, têm-se os seguintes, considerando os três grandes setores de atividade econômica (classificação macroeconômica):
Agrícolas (inclusive pecuários).
Industriais
De Serviços, que incluem:
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Serviços básicos (saneamento, usinas hidrelétricas, estradas, ferrovias, portos, etc.).
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Serviços sociais (creches, hospitais, habitações, etc.).
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Outros serviços (hotéis, restaurantes, assessoramento técnico, etc.).
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Os projetos, dentro de cada setor, podem ser classificados em função de sua finalidade, quer seja de criar novos meios de produção ou ampliar a capacidade ou ainda, aumentar a produtividade de meios de produção existentes.
No entanto, se for o caso de classificar o projeto do ponto de vista microeconômico (ou seja, de impacto na empresa), então a classificação do projeto pode ser:
implantação,
expansão ou de ampliação,
modernização,
relocalização,
diversificação
e redução de custos.
Pode ser, também, que se queira classificar o projeto em função do uso que o mesmo terá para a empresa ao longo do processo decisório e até à implantação do mesmo. Neste caso, teremos a seguinte classificação dos projetos:
pré-viabilidade,
viabilidade final
e de financiamento.
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Projeto de pré-viabilidade – serve para determinar uma ação hipotética e consistente de mercado e inclui os estudos e diagnósticos iniciais e análise de mercado, a fim de definir localização e tamanho do novo negócio. Esta fase é importante para identificar a factibilidade da proposta, e se serão possíveis de serem coletados dados suficientes para análise.
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Projeto de viabilidade – é um projeto que procura verificar a viabilidade a nível interno da própria empresa. Quando surge a ideia (ou a oportunidade) de investir, inicia o processo de coleta e processamento de informações que, devidamente analisadas, permitirão testar a sua viabilidade. Fica claro então que a empresa deve elaborar vários projetos de viabilidade desde a ideia inicial, buscando identificar a melhor alternativa, até à decisão de investir. O que se observa normalmente, é que este tipo de procedimento, às vezes, não é executado pelas empresas nacionais, que supõe a viabilidade por antecipação. Isto é, quando uma empresa resolve executar determinado investimento, raramente faz a verificação de sua viabilidade de modo formal e explícito. Em geral, a verificação da viabilidade acaba sendo relegada a segundo plano (ou então nem é feita) dentro do processo decisório, porque exige um nível de informações que, muitas vezes, não está disponível e necessita pesquisa qualificada para oferecer segurança mínima, nos dados levantados. E isto pode motivar a ausência de um processo de planejamento formal nas empresas.
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Projeto final – constitui-se no conjunto de informações em que a grande maioria dos parâmetros mais importantes para a fase de implantação já se encontra definida (tais como identificação de mercado, investimentos necessários, custos, despesas, receitas, cronograma, etc.). Neste sentido, o projeto é algo mais que um orçamento: é um documento auxiliar ao próprio processo de acompanhamento do projeto. Mais uma vez é preciso dizer que este tipo de projeto raramente é feito nas empresas nacionais. Às vezes, inclusive, o projeto continua a ser modificado profundamente durante a própria fase de implantação. Não é de se estranhar, portanto, a virtual impossibilidade de se comparar o projeto de viabilidade com o que foi implantado.
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Projeto de financiamento – é um projeto feito para atender às exigências e quesitos dos órgãos financiadores (como os bancos de investimento) e/ ou os órgãos que concedem incentivos (a nível federal, regional, estadual e municipal). Este tipo de projeto, via de regra, resulta do preenchimento de formulários padronizados que são distribuídos pelos órgãos que darão os financiamentos e/ou incentivos. É comum a confusão deste tipo de projeto, com o projeto de viabilidade e com o projeto final. O que se constata é que, às vezes, o projeto de financiamento é feito de modo muito otimista, com o objetivo de sensibilizar os órgãos que darão os incentivos e/ou os financiamentos.
ROTEIROS, ELABORAÇÃO E ESTRUTURAS DE PROJETO
O ponto de partida ou de origem do plano de viabilidade é a descrição de uma ideia de negócio. Neste sentido, uma das questões críticas para o sucesso e, portanto, a viabilidade do projeto é o fato de que a ideia, que irá apoiar todas as decisões tomadas, seja realmente uma oportunidade de negócio. Uma boa ideia se faz necessária para o sucesso do negócio, no entanto, não é, por si só, condição suficiente. Para alcançar o sucesso empresarial também se faz necessária a realização de ações estratégicas que permitam a sua correta aplicação. Então, sua descrição, explicação e justificação constitui um dos aspectos mais importantes e decisivos do plano de viabilidade, especialmente para os investidores.
O resultado do investimento vai depender muito das qualidades e características da ideia de negócio, então esta ideia será o cartão de visitas de todo o projeto, que é razão suficiente para especificar em detalhes os fatores que a originaram e a justificativa de por que se espera que seja bem-sucedida. Portanto, não se deve poupar tempo, busca por informação e esforços para sustentá-la adequadamente.
Quanto à origem de ideias de negócio, a principal fonte de onde se coloca é a observação de uma situação real. É sobre encontrar necessidades dos consumidores que são ou não atendidos em um determinado segmento de mercado e podem ser melhoradas a fim de satisfazer ou superar suas expectativas. Outra possível fonte de ideias de negócio é simplesmente a de pensar sobre a possibilidade de concessão de uso ou usos alternativos de algum produto ou serviço existente no mercado. Portanto, sempre que há uma necessidade percebida entre os consumidores em um determinado mercado, há uma oportunidade de negócio para uma empresa. Para capturar essa necessidade, o gestor da cooperativa pode utilizar diferentes fontes de informação, tais como associações empresariais, leitura de jornais e revistas, entrando em contato com pessoas criativas, conhecimento de políticas públicas ou alterações da legislação, e também, experiências de ideias apresentadas em feiras, franquias, dentro e fora do país, etc.
Além destas, também se pode considerar como fontes de ideias, planos de desenvolvimento e de estudos de mercado, de pressões políticas ou de considerações de natureza estratégica ou militar e de estímulos financeiros, fiscais e cambiais criados pelo governo e da abertura de oportunidades para a exploração de recursos ociosos ou pela descoberta de novos recursos naturais e de inovações tecnológicas. Ao projetar uma ideia de negócio, sempre é conveniente adotar uma mentalidade de cliente, não de fabricante.
O design do produto e apresentação dos benefícios deve ser percebida pelo consumidor, como capaz de satisfazer as necessidades e superar as expectativas de uma forma simples e conveniente. Adotando esta mentalidade de consumidor será mais fácil de adaptar o produto ou serviço para que seja aceito na mente dos clientes potenciais.
Antes de escolher a ideia que pode se traduzir em uma oportunidade de negócio, é preciso executar uma série de etapas preliminares para garantir que, na medida do possível, o projeto seja bem-sucedido.
Neste sentido, é importante:
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recolher todas as informações úteis e interessantes sobre o tipo de negócio e produto que se pretende implementar.
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estabelecer explicitamente se o que irá ser feito, satisfará nossos negócios futuros.
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verificar se é uma ideia existente ou que tenha sido utilizada por outras empresas, ou se existem empresas que estão considerando a sua implementação.
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testar possíveis defeitos e dificuldades que podem surgir quanto a sua aplicação.
A ideia do negócio precede o plano de viabilidade, que é feita para aceitar ou rejeitar um projeto.
O plano vai girar em torno dele, que destaca a importância e significado que tem a sua construção, inclusive quanto às necessidades de recursos da empresa. Nesse sentido, a ideia do negócio deve estimular aqueles que têm de decidir se implementam ou não um novo negócio, e em outra situação, se continuam ou não com o negócio existente. Em outras palavras, trata-se de vender a ideia do negócio como se estivéssemos diante de um produto principal. Logo, para isso, é necessário que se estruture a ideia do projeto em etapas.
Na conclusão do projeto, o produto é apresentado e as atividades administrativas são encerradas. Um novo ciclo de vida pode ter início. De um modo geral, podemos distinguir quatro etapas principais:
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Anteprojeto (preparação).
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Projeto final ou definitivo (estruturação).
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Montagem e execução (execução).
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Funcionamento normal (conclusão).
ELEMENTOS QUE COMPÕEM O PROJETO
A elaboração de projetos tem maior evidência nas considerações de natureza microeconômica. A avaliação por sua vez tem maior ênfase nas considerações de natureza macroeconômica (sistema como um todo). Pode-se dizer que, a avaliação liga os projetos aos programas.
ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DE PROJETOS
A seguir, dois modelos de roteiros para elaboração de projetos.
No primeiro, em um roteiro simplificado, podemos dividir a proposta formal do plano de negócios, em três partes:
Roteiro 1
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A empresa:
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Denominação ou razão social; forma jurídica.
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Capital atual (subscrito e integralizado) e aumentos previstos.
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Principais acionistas, controle acionário, relação com outras empresas ou grupos financeiros.
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Dirigentes e administradores principais.
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Histórico das atividades da empresa e evolução da produção, vendas, capital e resultados financeiros (nos casos de ampliação de empresas existentes).
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2. Projeto:
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Apresentação: descrição sumária dos objetivos e características principais do projeto, com indicação dos seus promotores ou responsáveis por sua execução, do programa de produção, investimentos necessários, esquema de financiamento e resultados esperados.
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Mercado.
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Tamanho.
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Localização.
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Engenharia/produção.
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Investimento.
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Financiamento.
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Custos e receitas anuais.
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Organização e administração.
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Justificativa econômica.
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Conclusões.
3. Anexos:
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Estudos complementares, plantas, catálogos, desenhos, e demais documentos que tenham sido utilizados para elaboração do projeto
Roteiro 2
Apresentamos abaixo, outro exemplo de roteiro de plano de negócios:
1. Resumo:
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É apresentado um breve resumo da cooperativa, suas atividades, organização, objetivos, metas e produtos.
2. Apresentação do projeto:
Descrever detalhadamente os tópicos abaixo:
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quem são os interessados/responsáveis pela implementação (qualificação, formação, experiências profissionais, etc.).
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quais serão os produtos, serviços e a tecnologia trabalhados (descrição do produto, tecnologia utilizada, etc.).
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O mercado potencial (a quem se destina, estudo criterioso do mercado).
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Elementos de diferenciação (diferenciais do produto, qualidade, preços, distribuição, etc.).
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Projeção de vendas (explicar como devem acontecer os volumes de vendas, de forma qualitativa e quantitativa).
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Rentabilidade e projeções financeiras (identificar os custos, considerando as projeções de vendas, a serem incidentes sobre os produtos).
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Necessidades de financiamento (apurado o valor do investimento inicial, verificar a necessidade de buscar alguma fonte de financiamento para adquirir as máquinas, equipamentos, veículos, imóveis outros que serão necessárias ao pleno fluxo de produção).
3. A Empresa:
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Produtos e serviços existentes – (se a cooperativa já existe, expor os produtos e aspectos importantes deste, como qualidade, aceitação do mercado, etc.).
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Planejamento estratégico – identificar, se existente, caso contrário, trabalhar na construção dos seguintes itens:
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Missão.
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Foco.
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Objetivos (geração de renda, empregos, renda, etc.).
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Desafios.
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Descrição legal – o regime jurídico de enquadramento da cooperativa.
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Estrutura organizacional.
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Fluxo de produção (descrição de etapas, como por exemplo, recebimento da matéria-prima: pesagem, lavagem, seleção da matéria-prima, tratamento térmico (cozimento), resfriamento, rotulagem, estocagem, expedição, etc.).
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Plano financeiro.
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Planilhas de investimentos, receitas, custos, despesas projetadas, relatórios de fluxo de caixa, demonstrativos de resultados, balanço patrimonial, análise da viabilidade (TIR, Payback, VPL, etc.).
Descrição da análise da viabilidade e parecer final