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METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR: FUNÇÃO DOCENTE

NA SOCIEDADE CAPITALISTA 

O ato de ensinar se configura, sobretudo, na ação. De acordo com o conceito de AÇÃO DOCENTE, a profissão de educador é uma PRÁTICA SOCIAL. Como tantas outras, é uma forma de se intervir na realidade social, no caso por meio da educação que ocorre não só, mas essencialmente, nas instituições de ensino. Isso porque a atividade docente é ao mesmo tempo PRÁTICA E AÇÃO. Não basta que os professores de ensino superior dominem teorias, conceitos, categorias, ou seja, conjunto particular de conhecimentos específicos de sua área, é preciso entender a práxis docente como atividade de transformação da realidade, para isso precisa de competência, de conhecimento, de sensibilidade, da ética, de estética, de consciência política. Enfim, transpor a fronteira entre a docência baseada no ensino e a docência baseada na aprendizagem (PASSOS, 2009, p. 39).

FORMAÇÃO

DO PROFESSOR UNIVERSITÁRIO

Para Demo (1996, p.17), a pesquisa é fundamental para que o professor possa ultrapassar a posição de mero reprodutor de conhecimentos e torne um mestre/ orientador e isso só será possível se o professor promover a relação entre o conhecimento teórico adquirido na academia, o contexto educativo no qual está inserido e sua prática.

 

É imprescindível que professores do ensino superior desenvolvam habilidades e competências para trabalhar com o ensino/pesquisa. Pesquisar, refletir sobre a pesquisa gera conhecimentos, mas para que ocorra produção de saberes necessitamos de todo um arcabouço de conhecimento teórico, conceitos e hipóteses específicos, vocabulário próprio, dispor de tempo, trabalhar em um ambiente que possibilite uma atitude investigativa. Esse é um grande um desafio que requer parceria entre docentes, diretores e discentes.

MÉTODOS DE ENSINO

Método de Aula Expositiva

A aula expositiva geralmente na apresentação de informação verbal do professor a um grupo de estudantes, observando-se pouca atividade aberta e pouco entrosamento entre estudantes e professor; em alguns casos a palavra do professor é interrompida por comentários e perguntas. Planty e Cols. afirmam que as aulas podem ser úteis no adestramento de administradores que estão habituados a informações verbais; assim como para subordinados de nível inferior.

 

Método de Palestras

A palavra permite transmitir a um grupo de pessoas uma considerável quantidade de informações. Do ponto de vista de Busch a palestra se trata de uma reunião cuidadosamente planejada que encerra uma finalidade e metas específicas. Evidências experimentais indicam que este método não pode vencer a resistência à mudança ou modificações de atitudes, no entanto, há imprevistos em algumas experiências que demonstram o contrário. Contudo as palestras exercem maior efeito na mudança de atividade que a palavra escrita.

 

Método de Resumo de Leitura (apontamentos)

A distribuição de “apontamentos” é um método de ensino que pretende, de uma forma mais ampla, que se leia uma informação especifica. Campbell a Metzner em pesquisas, demonstram que aproximadamente um terço da população admite que sua única leitura seja as páginas de esporte, humorismo, notícias e anúncios de periódicos, enquanto que um número similar não lê nem periódicos em revistas, e cerca da metade não lê qualquer livro no espaço de um ano (o autor do presente trabalho desconhece pesquisas semelhantes realizadas na América Latina e supõe que o hábito de leitura é análogo ao do estudo de Campbell e Metzer para a América Latina).

 

Método de Filmes Educativos ou Videotapes

Os custos de um filme e da aquisição de um circuito fechado são altos, mas levando-se em conta que se pode utilizar muitas vezes é investimento relativamente barato para as grandes instituições de ensino superior. O valor de um filme encontra-se no aproveitamento visual porém de nenhum modo pode desenvolver habilidades. Carpenter a Greenhill não encontraram diferenças entre os grupos universitários, que aprenderam através de aulas e os que aprenderam através de filmes de circuitos fechado, com discussões complementares. Siegel e Cols comparam os resultados depois de um exame final de classes separadas, com grandes grupos instruídos por televisão, e outros com grupos pequenos e grandes, preparados por instrutores concluíram que não existem diferenças significativas nos resultados dos exames finais. Nos últimos anos tem crescido muito a utilização de VT para treinamento de pessoal em informática e esse recurso, se bem produzido, é de grande valor pedagógico.

 

Método de Casos

O Método de Casos foi desenvolvido na Escola de Negócios de Harvard, e é uma das primeiras modificações que se apresentou ao método de aulas expositivas. Consiste este método na apresentação a pequenos grupos, de uma situação típica problemática, que se transforma em motivo de discussão “que fazer”, “como poderia ser evitado o problema? ”, “quais são os problemas que delineiam a política da empresa indicada? ”. De acordo com Maier este método proporciona a prática na resolução de problemas e utiliza as vantagens da discussão, mas não acrescenta nada no que diz respeito a relações humanas. Para Mac Gehee e Thayer (1961), o inconveniente do uso deste método situa-se na dificuldade para vencer as pressões e resistências que se desenvolvem nos processos de entrosamento e coesão do grupo no empenho de uma tarefa comum, que implica na solução do caso em questão.

 

Métodos de Discussão

Lewin em seus estudos, apoia este método, demonstrando que em grupos de donas-de-casa que estudaram o problema e tomaram suas decisões em relação à alimentação, constatou-se um aumento nos hábitos de economia na alimentação de forma mais significativa que em grupos de mulheres que foram submetidas a processos persuasivos para mudarem seus hábitos de alimentação. De acordo com Maier os inconvenientes apresentados pelo método de discussão são o tempo considerável que se consome para uma matéria relativamente limitada e as informações que oferece, em alguns aspectos, são completas e em outros incompletas.

 

Métodos de Desempenho de Papeis (Role-play)

Define-se este método como “a criação de uma situação vital que inclua conflitos entre diversas pessoas e consiga que as pessoas de um grupo desempenhem os diversos personagens criados”. Lawshe e Bolds demonstram os efeitos deste método sobre o rendimento verbal e pregam a necessidade de uma prática maior para determinar sua eficácia no desempenho de tarefas normais. Por outro lado, Maier afirma que este método pode limitar-se ao treinamento de habilidades em relações humanas. Alguns opinam que um dos problemas deste método é o apoio que se oferece durante a aprendizagem, esclarecendo:

“Como (de que maneira) o aluno tem que entrar em entendimento com o outro que desempenha um papel que controla sistematicamente os elementos auxiliares da situação e oferece o auxílio imediato para suas afirmações. E que um desvio no papel assumido resulta fatalmente em um comportamento inadequado”.

 

Método de Grupo “T” (treinamento de sensibilidade)

De acordo com Bennis o treinamento de sensibilidade é uma forma original e discutida de educação, na qual os grupos trabalham sob a direção de um especialista capacitado profissionalmente que explora os processos de desenvolvimento do grupo, enfocando sua atenção sobre o comportamento adotado por seus membros. O grupo assim formado, carece de estrutura e encontra compensação integrando-se para compreender a si mesmo. De acordo com House os grupos “T” são uma experiência educativa original e despertam curiosidade (e ansiedade) pois que no campo desta técnica se estabelece uma grande controvérsia. Estas mesmas características do método apresentam a necessidade de uma determinação objetiva dos lucros da transferência de aprendizagem e de situações do grupo para situações de vida real, Shepard (1960), responde a isto dizendo: “qualquer um dos participantes, uma vez de regresso à empresa, está ciente que sofreu um impacto, mas o que não está claro é a natureza do impacto. Observamos que alguns problemas foram solucionados. Não obstante está apto para assumir as consequências em longo prazo. Talvez a experiência de Laboratório não seja mais que uma parte de um amplo programa de organização”.

 

Método de Jogos de Empresas

Do ponto de vista Andlinger podemos definir um jogo de empresas como: “Um conjunto de regras que corresponde à economia de uma empresa com todo o realismo possível e com as limitações de todo jogo; este tipo de jogo poderia chamar-se operacional e não tem relação com a chamada “teoria dos jogos”, é um método teórico para a solução de situações conflitantes. O jogo operacional é essencialmente simulado e proporciona campo para tomada de decisões tendo em mira a montagem da estratégia perfeita”. Estes a partir da década de 70 tornaram-se muito utilizados embora com o aparecimento do microcomputador e produção desses jogos reduziu-se muito. De acordo com Green a Sisson não se deve tentar o uso destes jogos para avaliar o pessoal executivo, sem antes proceder a uma extensa pesquisa que decida a correlação entre o êxito do jogo e o êxito em administrar uma organização. Essa opinião foi posteriormente refutada por inúmeros trabalhos que comprovaram sua efetividade.

O jogo de empresa quando usando computador, se baseia na simulação do desempenho de papéis que implicam na interação entre os participantes humanos e os computadores, proporcionando aos alunos as variações de entradas e saídas de informações ao computador. Em todas as simulações realizadas com computador as variáveis de entrada e saída são fornecidas à medida que se desenvolvem as consequências lógicas das variações de entrada tal como previamente determinado pelo modelo programado. De acordo com Crano e Brewer a simulação com computador é mais apropriada para as teorias que são suficientemente complexas para permitir a descoberta das consequências não antecipadas e contudo, suficientemente precisas para proporcionar as relações funcionais específicas entre as variáveis relevantes. Este método de ensino, de acordo com Abelson requer uma equiparação consideravelmente maior dos procedimentos de intercâmbio formal de informação específica e da documentação escrita por extenso sobre os programas disponíveis.

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