
PROJETOS
ÉTICA E CIVILIZAÇÃO
Os seres humanos agem conscientemente, e cada um de nós é senhor de sua própria vida. Mas como resolvemos o que fazer? Você em algum lugar já pensou em como você toma as decisões sobre o que fazer em determinada situação? Você age impulsivamente, fazendo “o que der na telha” ou analisa cuidadosamente as possibilidades e as consequências, para depois resolver o que fazer?
A filosofia pode nos ajudar a pensar sobre a nossa vida. Chama-se ética a parte da filosofia que se dedica a pensar as ações humanas e os seus fundamentos. Um dos primeiros filósofos a pensar a ética foi Aristóteles, que viveu na Grécia no século IV aC . Esse filósofo ensinava numa escola à qual deu o nome de Liceu, e muitas de suas obras são resultado das anotações que os alunos faziam de suas aulas. As explicações sobre a ética foram anotadas pelo filho de Aristóteles chamado Nicômaco, e por isso esse livro é conhecido por nós com o título de Ética a Nicômaco. Em suas aulas, Aristóteles fez uma análise do agir humano que marcou decisivamente o modo de pensar ocidental. O filósofo ensinava que todo o conhecimento e todo trabalho visa a algum bem. O bem é a finalidade de toda ação. A busca do bem é o diferente é o que difere a ação humana da de todos os outros animais.
Ele perguntou: Qual é o mais alto de todos os bens que se podem alcançar pela ação? E como resposta encontrou: a felicidade. Essa resposta formulada pelo filósofo encontra eco até nossos dias. Tanto o homem do cotidiano como todos os grandes pensadores estão de acordo que a finalidade da vida é ser feliz. Identifica-se o bem viver e o bem agir com o ser feliz. No entanto, disse Aristóteles, a pergunta sobre o que é felicidade não é respondida igualmente por todos. Cada um de nós responde de uma forma singular. Essa singularidade na resposta é partilhada por outros indivíduos com os quais convivemos. Portanto, no processo de nossa educação familiar, religiosa e escolar aprendemos a identificar o ser feliz com os valores que sustentam nossas ações.
Toda a produção humana consiste em criar condições para que o homem seja feliz. Todas as religiões, as filosofias de todos os tempos, as conquistas tecnológicas, as teorias científicas e toda a arte são criações humanas que procuram apresentar condições para a conquista da felicidade. O processo civilizatório iniciou-se com a promessa da felicidade.
RACIONALIDADE E LIBERDADE
O mesmo Aristóteles caracterizou os humanos como seres racionais que falam. A dimensão anímica ou psíquica (psique=alma) dos seres humanos foi concebida pelo filósofo como um conjunto de duas partes: uma racional e a outra privada de razão. A primeira se expressa pela atividade filosófica e matemática. A Segunda, por seus elementos vegetativos e apetitivos. Isso permitiu a hierarquização dos seres humanos.
Pela Segunda parte da alma, somos iguais a todos os outros animais. Movidos pelos instintos primários (fome, sede, sono, reprodução), somos guiados pela necessidade de sobrevivência. Todos os seres humanos tem em comum um problema único a resolver: como sobreviver. Necessitamos de alimentos para aplacar nossa fome; de água para saciar a sede: dormir para perpetuar a espécie. Mas o que nos diferencia dos outros animais? Segundo Aristóteles, é a racionalidade. Nós somos capazes de planejar nossas ações, de realizar escolhas e julgá-las, determinando seu valor. Agimos acreditando que estamos fazendo o bem e, mesmo quando julgamos mal nossas ações, é sempre o bem que estabelece o critério de tal julgamento.
Assim, os seres humanos identificam-se como tais pelas distinções que são capazes de estabelecer com os outros animais e, por conseguinte, com todo o reino da natureza. Os seres humanos definem-se pela capacidade de pensar, falar, trabalhar e amar. Ainda com Aristóteles, podemos identificar três coisas que controlam a ação: sensação, razão e desejo. A primeira não é princípio para julgar ação, pois também os outros animais possuem sensação, mas não participam da ação.
A ação é um movimento deliberativo, isto é, a origem da ação é a escolha. Os homens diferem dos demais animais porque são capazes de realizar escolhas. O desejo está na raiz dessas escolhas: a razão é o seu guia. Para Aristóteles, o desejo é a força motriz, o impulso gerador de todas as nossas ações. Mas esta força motriz deve seguir o curso traçado pela razão. A razão guia, conduz o desejo ao encontro de seu objetivo.
Realizar escolhas é eleger objetos para o desejo. O critério das escolhas é sempre racional. O motivo é sempre emocional, ou seja, impulsionados pelo desejo movemo-nos em direção aos objetos. Nesse sentido, a capacidade racional de realizar escolhas permite-nos afirmar nossa condição de liberdade. O exercício da liberdade é a capacidade de escolher. Nisso os seres humanos podem se desviar do determinismo pelo padrão genético de suas espécies. Quando olhamos um filhote de cachorro, por exemplo, somos capazes de dizer seu comportamento futuro. Ao olhar para um bebê é impossível prever seu comportamento, suas ações e suas intenções.
É a escolha que define o caráter de um ser humano. Suas virtudes se manifestam nas escolhas que realiza no curso de sua condição mortal. Aqui se apresentam algumas questões éticas de grande relevância. Quais os critérios que norteiam as escolhas que um homem faz em sua vida? Quais são os valores que pautam suas ações? Quais objetivos pretende atingir com quais meios efetivará sua realização? Afirma-se que toda ação deve ser justa e boa. Mas, o que determina a justiça e a bondade? O que é ser justo? O que é ser bom?
No exercício da liberdade, cada um de nos se relaciona com outros indivíduos e dessas relações emerge a realidade social. Chamamos sociais nossas relações com os outros no mundo. A sociedade é uma construção histórica pautada numa lei fundamental: é proibido matar o semelhante. No entanto, numa rápida olhada em qualquer jornal, por exemplo, descobrimos que o assassinato é praticado das mais diferentes formas: guerras, fome, assaltos, atentados, terroristas...Vez ou outra, ouvimos dizer que essas ações são desumanas. Mas como, se foram praticadas por seres da mesma espécie, animais racionais?
CIVILIZAÇÃO E VALORES
A civilização parece não respeitar a lei fundamental que criou para que pudesse existir. É proibido matar! Se existem práticas homicidas, os critérios de bondade e justiça não são cumpridos. Os assassinatos revelam o conflito irremediável entre a liberdade e a lei. A lei foi constituída para garantir o exercício da liberdade. No entanto, acaso deveríamos julgar livres os indivíduos que praticam crimes? Seriam eles livres em suas ações ou não? O critério de justiça determina a prisão (perda da liberdade) para quem cometer homicídio. Mas por que os pobres são condenados à prisão? Por que os chamados “crimes de colarinho-branco” não são punidos com a prisão? Observe que essas questões remetem ao chamado da reflexão ética.
Em 1930, um médico vienense chamado Sigmund Freud – o criador da psicanálise – publicou um livro com o sugestivo título O mal-estar na civilização. Nessa obra, Freud fez um diagnóstico do processo civilizatório e constatou que os seres humanos estão condenados a viver nesse conflito irremediável entre as exigências pulsionais (a liberdade) e as restrições (as leis). Freud Retoma a clássica questão aristotélica que atravessa toda a história ocidental: O que os homens pedem da vida e o que desejam nela realizar? A resposta é categórica: a felicidade. Os homens querem ser felizes e assim permanecer. Toda ação tem em vista a conquista da felicidade. Par analisar por que nos afastamos desse propósito, Freud apresenta uma reflexão decisiva para pensarmos a Ética civilizatória como processa de felicidade: “Grande parte das lutas humanas centraliza-se em torno da tarefa única de encontrar uma acomodação conveniente – isto é, uma acomodação que traga felicidade – entre essa reinvindicação do indivíduo (liberdade) e as reivindicações culturais do grupo (leis), e um dos problemas que incide sobre o destino da humanidade é o saber se tal acomodação pode ser alcançada por meio de alguma específica de civilização (religião, ciência, filosofia, arte) ou se esse conflito é irreconciliável” (p.116). A posição de Freud é clara: o conflito é irremediável.
A tarefa da civilização é humanizar esse animal racional chamado homem. Acompanhando os argumentos de Freud na obra citada, podemos encontrar elementos para caracterizar o processo civilizatório construído pelos seres humanos. A civilização é concebida como tudo aquilo por meio do que a vida humana se elevou acima de sua condição animal. Os humanos são seres da cultura. A cultura é a morada do homem. O acesso aos bens culturais produzidos em toda a história é o que define nossa condição humana. O homem é um animal cujo maior desejo é tornar-se humano.
A elevação apontada por Freud é o que diferencia dos outros animais. A vida humana difere da vida dos animais em dois aspectos: os conhecimentos e as capacidades adquiridas para controlar as forças da natureza; e os regulamentos (leis, normas, regras) para ajustar as relações dos homens uns com os outros. Na luta pela sobrevivência em um mundo sombrio e assustador, o animal racional teve de enfrentar três grandes desafios: o poder superior da natureza, que nos ameaça com forças de destruição, a fragilidade de seu próprio corpo, condenado à dissolução; e as leis que regulam suas ações sociais. Os conhecimentos científicos e tecnológicos procuram responder a esses desafios. As práticas religiosas, os sistemas de crenças também. As teorias filosóficas e as produções artísticas inserem-se nessa tarefa de encontrar caminhos para esses desafios humanos.
A conclusão derradeira de Freud é que a civilização tem que ser defendida contra o indivíduo e que seus regulamentos, suas instituições e suas ordens dirigem-se a essa tarefa (...) fica-se com a impressão de que a civilização é algo que foi imposto a uma maioria resistente por uma minoria que compreendeu como obter a posse dos meios de poder e coerção, somos submetidos ao processo civilizatório. Desde o nascimento até a morte, somos atravessados pelos critérios que sustentam a civilização: o bem e a justiça.
Finalmente, como relacionar à ética (instância individual) e civilização (instância coletiva)? A ética, pensada no campo da lei, leva-nos às mesmas conclusões que Freud. Ao obter a posse dos meios de poder e coerção, uma minoria impões seus valores à grande maioria que resiste. Mas a conclusão de Freud nos permite pensar o poder também como resistência por parte da maioria. Nesse caso, o Estado aparece como o grande gerenciador desse conflito, por meio de seu sistema de leis e práticas de coerção (prisão, por exemplo).
Há outra forma também de pensarmos a ética: como exercício estético. Em meio a esse conflito irreconciliável entre as exigências individuais por liberdade e as restrições impostas pelo regulamento social, podemos criar condições para instaurar uma ética da beleza: fazer da vida uma obra de arte, criar condições para que cada um produza sua própria vida como quem esculpe o mármore ou pinta uma tela. O mármore ou a tela seriam as imposições/restrições impostas pela civilização e das quais podemos escapar, mas, como sujeitos de nossa vida, podemos esculpir/pintar com o formão e o pincel de nossa liberdade.
ÉTICA E VALORES
Ser Humano é Influenciado pelo ambiente
(A família à qual pertence; a classe econômica da qual faz parte aquela família; a raça da qual faz parte; a religião; o país onde nasceu ...).
Conjunto de informações a respeito da vida – entre tantas informações questões ligadas a “Justiça Social”. Ocorrência: Valores diferenciados para fatos e coisas.
Exemplo:
Na escala de valores de uma família de baixa renda, o valor atribuído às necessidades básicas, certamente, encontra-se em patamar superior ao do valor atribuído às necessidades menos imediatas, como o lazer. Esse quadro é diferente quando a escala de valores é de uma família de alta renda, cujas necessidades básicas já estão, a priori, totalmente atendidas. Portanto, quanto maior o distanciamento verificado entre as condições de vida das pessoas, certamente maior será a diferença no que se refere ao conjunto de informações recebido de forma individual, da mesma forma que diferentes serão as necessidades a que cada um a busca atender de maneira mais imediata, vale dizer, maior será o distanciamento entre seus valores.
Objetivos diferentes > Conflitos > Escala de valores
ÉTICA E LEI
O conceito ou preceito ético é uma regra aplicável à conduta humana.
O preceito possui duas características essenciais:
- Destina-se a adequar a ação humana ao conceito do bem e da moral.
- Pode ser aplicado pela simples determinação do ser humano, independentemente de coação externa.
Como os preceitos éticos são regras, muitos estudiosos aplicam-lhes o princípio – típico das normas jurídicas – da possibilidade de não atendimento sem violação dos princípios. Essa corrente de pensamento aceita a ideia de que um comportamento pode não ser exatamente de conformidade com a regra ética, mas mesmo assim pode não contrariar esse preceito. Para qualificar esse comportamento, tais pensadores utilizam a palavra aético, que é um comportamento que não é ético, mas que também não contraria a regra ética.
Não concordamos com tal corrente de pensamento. Por essa razão, para nós os comportamentos valorados à luz das regras ética só podem ser éticos ou antiéticos.
A lei é uma norma aprovada pelo povo de um país, que possui as seguintes características fundamentais:
- Resulta de um processo formal de elaboração, do qual a sociedade participa diretamente ou através de seus representantes.
- É dotada de sanção, ou seja, a sua desobediência gera uma penalidade.
- É sempre atribuída, o que significa que cada direito outorgado a alguém impõe um dever, para a mesma ou para outra pessoa.
CONCEITO DA ÉTICA
Pode-se, de forma simplificada, definir o termo ética como sendo um ramo da filosofia que lida com o que é moralmente bom ou mau, certo ou errado.
• Uso popular do termo ética: Ética diz respeito aos princípios de conduta que norteiam um indivíduo ou grupo de indivíduos.
• A expressão ética pessoal é normalmente aplicada em referência aos princípios de conduta das pessoas em geral.
• A expressão ética profissional serve como indicativo de conjunto de normas que baliza a conduta dos integrantes de determinada profissão. Os filósofos referem-se à ética para denotar o estudo teórico dos padrões de julgamentos morais, inerentes às decisões de cunho moral.
• A reflexão ética não pode pretender converter os agentes sociais em indivíduos éticos, mas pode instrumentalizá-los para que decidam consequentemente, de acordo com o que a coletividade espera deles.
• A ética representa, pois, uma tomada de posição ideológico-filosófica que remete aos interesses sociais envolvidos.
A moral, como sinônimo de ética, pode ser conceituada como o conjunto de normas que, em determinado meio, granjeiam a aprovação para o comportamento dos homens.
A ética, como expressão única do pensamento correto, conduz à ideia da universalidade moral, ou ainda, à forma ideal universal do comportamento humano, expressa em princípios válidos para todo o pensamento normal e sadio.
CONCEITOS DA ÉTICA PROFISSIONAL
As lideranças sociais têm um poder e uma responsabilidade decisivos em relação à ética. Nenhuma nação, povo, ou grupo social pode realizar seu projeto histórico sem lideranças. A liderança social é o elemento de ligação entre os interesses do grupo social e as oportunidades históricas disponíveis para realizá-los. A responsabilidade ética da liderança, portanto, se pudesse ser medida, teria o tamanho e o peso dos direitos reunidos de todos aqueles que ela representa e lidera.
A liderança social tem uma tripla responsabilidade ética:
institucional,
pessoal e
educacional.
Institucional, porque devem cumprir fiel e estritamente os deveres que lhe são atribuídos.
Liderança pessoal porque devem ser cada uma delas, um exemplo de cidadania: justas e eticamente íntegras. Liderança educacional porque, além de ser um exemplo, deve dialogar com os que ela lidera, de modo a ampliar a sua consciência política e a fazê-los crescer na cidadania.
A moral disciplina o comportamento do homem consigo mesmo. Tratam dos costumes, deveres e modo de proceder dos homens com os outros homens, segundo a justiça e a equidade natural, ou seja, os princípios éticos e morais são na verdade os pilares da construção de uma identidade profissional e sua moral mais do que sua representação social contribui com a formação da consciência profissional.
Os princípios éticos e morais são, na verdade, os pilares da construção de um profissional que representa o Direito Justo, distinguindo-se por seu talento e principalmente por sua moral e não pela aparência. De forma sintética, João Baptista Herkenhoff (2001) exterioriza sua concepção de ética; o mundo ético é o mundo do “deve ser” (mundo dos juízos de valor), em contraposição ao mundo do “ser” (mundo dos juízos de realidade). Todavia, “a moral é a parte subjetiva da ética”. “O homem nem sempre pode o que quer, nem quer sempre o que pode. Ademais, sua vontade e seu poder não concordam com seu saber. Quase sempre as circunstâncias externas determinam a sua sorte.” (D’HONDT, 1966, p. 105).
A ÉTICA PROFISSIONAL E A FILOSOFIA DO AGIR HUMANO – O SER ÉTICO/AXIOLÓGICO.
É a vida do bem em organizações humanas. A vida plenamente humana, “programa pedagógico esse que visa formar o jovem Técnico em Metalurgia, que participa da cidadania, assumindo com plena consciência a recíproca relação entre direitos e deveres”, consiste essa mesma existência da esfera profissional. Esse mundo humano – ser ético/axiológico não é uma dádiva da natureza. É uma conquista cultural. Destino das sociedades institucionalizadas, em sua dimensão ético-profissional, a de enveredarem pelos obscuros caminhos da cidade sem lei.
A ética é aplicada no campo das atividades profissionais. Assim, a ética profissional do estudante de Técnico de Metalurgia e demais outras profissões. A ética é ainda indispensável ao profissional, porque na ação humana “o fazer” e “o agir” estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão. O agir se refere à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão. O estudo e o conhecimento da Deontologia (do grego deontos = dever e logos = tratado) se voltam para a ciência dos deveres, no âmbito de cada profissão. É o estudo dos direitos, emissão de juízos de valores, compreendendo a ética como condição essencial para o exercício de qualquer profissão.
A ética é indispensável ao profissional, porque na ação humana “o fazer” e “o agir” estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão. O agir se refere à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão.
Tanto a moral como o direito baseiam-se em regras que visam estabelecer certa previsibilidade para as ações humanas. Ambas, porém, se diferenciam. A moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma de garantir o seu bem-viver. Independe das fronteiras geográficas e garante uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este mesmo referencial moral comum. O direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do Estado. As leis têm uma base territorial, que valem apenas para a área geográfica onde uma determinada população ou seus delegados vivem. A ética é o estudo geral do que é bom ou mau, correto ou incorreto, justo ou injusto, adequado ou inadequado. Um dos seus objetivos é a busca de justificativas para as regras propostas pela Moral e pelo Direito. Ela é diferente de ambos – Moral e Direito – pois não estabelece regras.
ÉTICA PROFISSIONAL: QUANDO SE INICIA ESTA REFLEXÃO?
Esta reflexão sobre as ações realizadas no exercício de uma profissão deve iniciar bem antes da prática profissional. A fase da escolha profissional, ainda durante a adolescência muitas vezes, já deve ser permeada por esta reflexão. A escolha por uma profissão é optativa, mas ao escolhê-la, o conjunto de deveres profissionais passa a ser obrigatório. Geralmente, quando você é jovem, escolhe sua carreira sem conhecer o conjunto de deveres que está prestes a assumir, tornando-se parte daquela categoria. Toda a fase de formação profissional, o aprendizado das competências e habilidades, referentes à prática específica numa determinada área, devem incluir a reflexão, antes do início dos estágios. Ao completar a formação em nível superior, a pessoa faz um juramento, que significa sua adesão e comprometimento com a categoria profissional onde formalmente ingressa. Isso caracteriza o aspecto moral da chamada Ética Profissional, a adesão voluntária a um conjunto de regras estabelecidas como sendo as mais adequadas para o seu exercício.
É fundamental ter sempre em mente que há uma série de atitudes que não estão descritas nos códigos de todas as profissões, mas que são comuns a todas as atividades que uma pessoa pode exercer. Atitudes de generosidade e cooperação no trabalho em equipe, mesmo quando exercidas solitariamente em uma sala, fazem parte de um conjunto maior de atividades que dependem do bom desempenho desta. Uma postura proativa, por exemplo, é não ficar restrito às tarefas solicitadas, mas contribuir para o engrandecimento do trabalho, mesmo que temporário. Se sua tarefa é varrer ruas, você pode se contentar em varrer e juntar o lixo, mas você pode também tirar o lixo que vê que está prestes a cair na rua, podendo futuramente entupir uma saída de escoamento e causando uma acumulação de água quando chover.
ÉTICA PROFISSIONAL E RELAÇÕES SOCIAIS
O varredor de rua que se preocupa em limpar o canal de escoamento de água da chuva; o auxiliar de almoxarifado que verifica se não há umidade no local destinado para colocar caixas de alimentos; o médico cirurgião que confere as suturas nos tecidos internos antes de completar a cirurgia; a atendente do asilo que se preocupa com a limpeza de uma senhora idosa após ir ao banheiro; o contador que impede uma fraude ou desfalque, ou que não maquia o balanço de uma empresa; o engenheiro que utiliza o material mais indicado para a construção de uma ponte, todos estão agindo de forma eticamente correta em suas profissões, ao fazerem o que não é visto, ou aquilo que, alguém vendo, não saberá quem fez. As leis de cada profissão são elaboradas com o objetivo de proteger os profissionais, as pessoas que dependem deles. Há, porém muitos aspectos não previstos especificamente e que fazem parte do compromisso do profissional com a ética, aquele que, independentemente de receber elogios, faz a coisa certa.
QUAIS OS LIMITES DE UM CÓDIGO DE ÉTICA?
Um código de ética não tem força jurídica de lei universal, porém deveria ter força simbólica para tal. Embora um código de ética possa prever sanções para os descumprimentos de seus dispositivos, estas dependerão sempre da existência de uma legislação, que lhe é juridicamente superior, e por ela limitado. Por essa limitação, o código de ética é um instrumento frágil de regulação dos comportamentos de seus membros.
Essa regulação só será ética quando o código de ética for uma convicção que venha do íntimo das pessoas. Isso aumenta a responsabilidade do processo de elaboração do código de ética, para que ele tenha a força da legitimidade.
Quanto mais democrático e participativo esse processo, maiores as chances de identificação dos membros do grupo com seu código de ética e, em consequência, maiores as chances de sua eficácia. O princípio fundamental que constitui a ética é este: o outro é um sujeito de direitos e sua vida deve ser digna tanto quanto a minha deve ser. O fundamento dos direitos e da dignidade do outro é a sua própria vida e a sua liberdade (possibilidade) de viver plenamente. As obrigações éticas da convivência humana devem pautar-se não apenas por aquilo que já temos, realizamos, somos, mas também por tudo aquilo que poderemos vir a ter, a realizar, a ser. As nossas possibilidades de ser são parte de nossos direitos e de nossos deveres. É parte da ética da convivência. A atitude ética é uma atitude de amor pela humanidade. A moral tradicional do liberalismo econômico e político acostumaram-nos a pensar que o campo da ética é o campo exclusivo das vontades e do livre arbítrio de cada indivíduo. Nessa tradição, também, a organização do sistema econômico-político-jurídico seria uma coisa “neutra”, “natural”, e não uma construção consciente e deliberada dos homens na sociedade.
ÉTICA E SISTEMA ECONÔMICO
O sistema econômico é o fator mais determinante de toda a ordem (e desordem) social. É o principal gerador dos problemas, assim como das soluções éticas. O fato de o sistema econômico parecer ter vida própria, independente da vontade dos homens, contribui para ofuscar a responsabilidade ética dos que estão em seu comando.
O sistema econômico mundial, do ponto de vista dos que o comandam, é uma vasta e complexa rede de hábitos consentidos e de compromissos reciprocamente assumidos, o que faz parecer que sua responsabilidade ética individual não existe. A moral dominante do sistema econômico diz que pelo trabalho qualquer indivíduo pode ter acesso à riqueza. A crítica econômica diz que a reprodução da miséria econômica é estrutural. Sendo assim, dentro de uma visão ética, pode se dizer que se exigem transformações radicais e globais na estrutura do sistema econômico.
ÉTICA E MEIO AMBIENTE
A voracidade predatória do sistema econômico vigente o faz enxergar a natureza tão somente como fonte de matérias-primas para a produção de mercadorias. Com isso, a natureza torna-se ela própria uma mercadoria.
O trabalho é a ação humana que transforma a natureza para o homem. Mas, para que cumpra essa finalidade de sustentar e humanizar o homem deve realizar-se de modo autossustentável para a natureza e para o homem. A voracidade predatória de nosso sistema econômico está rompendo perigosamente o equilíbrio de autossustentabilidade entre a natureza e o homem. Preservar e cuidar da natureza é o mesmo que preservar e cuidar da humanidade, das gerações atuais e futuras. Preservar e cuidar do meio ambiente é uma responsabilidade ética diante da natureza humana.
O pensamento pós-moderno rejeita o conceito defendido pela modernidade de que existem verdades absolutas e fixas. Toda verdade é relativa e depende do contexto social e cultural em que as pessoas vivem. Cada um percebe a verdade de sua própria forma. Não há “verdade”, mas sim “verdades” que não se contradizem, mas se complementam. Isso inclui verdades religiosas. Conceitos como “Deus” são totalmente relativos. A única “inverdade” que existe é insistir em dizer que existe verdade fixa e absoluta!
Nesta época de pós-modernidade, surgiu o conceito do politicamente correto – na mentalidade pluralista e inclusivista, a opinião e as convicções de todos têm de ser respeitadas. A razão para esse “respeito” é que a opinião de um é vista como tão verdadeira quanto à do outro. Assim, torna-se politicamente incorreto criticar as opiniões, a conduta e as preferências morais, políticas e religiosas de alguém. O contemporâneo é incerto e ainda problemático, precisando de ressignificações dos papéis e das funções, cujos atores humanos têm a plateia humana sem bússola e sempre os temas centrais dos atos são a ética.
Existem quatro eixos de conteúdos relativos à ética. São eles:
respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade.
Quando nos referimos ao espectro ético em uma determinada prática social/profissional, de maneira que possamos reconhecer a existência de expectativas e de avaliações, cabe-nos sempre uma profunda indagação: o que se tem feito e dito a respeito de nós, profissionais da área Metalúrgica? Qual a nossa imagem de ética vivenciada? Essa imagem de um educador se considerada como ética revela a essência de minha função profissional e obscurece uma prática contrária aos princípios que acredito existirem?
A transgressão da ética surge pela inconformidade e pela falta do conhecimento e não necessariamente pela má-fé, se não estiverem atreladas ao não moral. No entanto, não podemos esquecer que no campo da ética, não devemos estabelecer configurações apriorísticas. As regras dificilmente serão as mesmas, porém, mesmo quando o conhecimento e as competências são diferentes, a funcionalidade processual formal deve ser explicitada. Caso haja rompimentos de regras, é preciso rever o contrato e refletir a prática no campo da dialética, nascendo à semente ética do sucesso de qualquer profissão. A ação do Técnico em Metalurgia, a exemplo, que observa sob uma visão multilocular o mesmo fenômeno, realizando múltiplas leituras para interpretar a realidade, refletida na compreensão global do real, deve de forma clara e competente transformar o universo interdisciplinar e multidisciplinar de sua formação acadêmica, através de um suporte dialético e interacional do conhecimento, a partir de suas próprias experiências sociais e humanas.
Reconstruir valores de forma contínua, convergentes e integradores ao conhecimento de outras disciplinas, permite desenvolver, no campo filosófico, espaços para a compreensão existencial sob vários ângulos da prática humana que dão real sentido à vida social e profissional. Numa perspectiva mais ampla e comparativa, se o tecido social resulta dos diversos vetores individuais e coletivos, não é demais admitir que o vácuo ético:
– nas relações entre profissionais, organizações, fornecedores e consumidores
– tem forte correlação com a fragilidade da ética pessoal, está hoje bem caracterizada pelo excessivo interesse do indivíduo por si próprio, pelo individualismo exacerbado, pelo narcisismo desmedido e pelo frágil sentido de solidariedade.
Com efeito, se as organizações são dirigidas por pessoas que assimilam não virtudes, e se estas pessoas moldam as crenças das organizações, na medida em que o homem despreza valores humanos, as organizações tendem a fazer o mesmo e a resvalar na moral e, às vezes, a abandonar a ética.
DEVERES PROFISSIONAIS
Quando direcionamos nossas capacidades e níveis de competências para permitir um desempenho eficaz da profissão escolhida, estamos exercitando deveres éticos. A satisfação de quem recebe esses benefícios é o referencial das nossas atitudes que governam as ações do indivíduo perante o outro, ele próprio, a sociedade e o Estado. O compromisso diante de um agregado de deveres éticos compatíveis com a tarefa profissional, precisa superar o “complexo de valores” pertinentes a cada profissão, até tornar-se um valor mais amplo da ética profissional universal.
O primeiro dever está na escolha da profissão seguida do conhecimento sobre ela para finalmente ser capaz de exercê-la dentro de uma prática plena de conduta cujos lastros de valoração profissional sejam os valores adotados pela classe, sociedade e pelo próprio indivíduo. É preciso que o sujeito e sua profissão façam um “casamento” pleno de prazer e influxos de amor. A escolha das tarefas deve ser a proveniência do dever a ser cumprido, visando à qualidade da execução, dentro de uma conduta valorosa e refletida por práticas úteis e cheias de usufrutos e benefícios. Aí, sim, ocorrerá o pleno dever ético. A identificação prazerosa com as tarefas de um trabalho precisa de convicções da escolha e dos sentimentos envolvidos com a escolha autônoma, pois quando um aluno perguntou a Mozart: “O que devo compor mestre?”. Ele respondeu: - “É preciso esperar”. A impaciência do aluno o fez retrucar, dizendo que o mestre já compunha desde os 5 anos, ao que o gênio da música lhe respondeu: “Mas eu nunca perguntei a ninguém o que deveria compor”.
O dever deve fluir como um sentimento que faz bem e não como algo que precisa ser cumprido a todo preço, para rapidamente se livrar do peso provocado pela falta de condições essenciais de opção. A consciência é que monitora as transgressões éticas que violentam a vontade humana e ela mesma é responsável pela corrupção que fragmenta o ser ao longo da vida. Quem aceita tarefas sem ter a capacidade de exercê-las, é condenável como prática antiética em função dos prejuízos que pode vir a causar a terceiros, desde que anteriormente seu juízo os tenha identificado. Essa infração ética precisa ser superada pelo dever profissional de buscar conhecimentos e competências necessários para a execução de tarefas desafiadoras. Não reconhecer que uma decisão faz a grande diferença diante das possíveis consequências, já significa uma premissa antiética.
Como profissional deve-se permanentemente refletir sobre a condição humana para se reconhecer permanentemente aprendizado com os outros identificando situações em que o exigível não é executável. Ainda, o profissional em Metalurgia tem o dever de conhecer e aprimorar-se no exercício da sua prática profissional como também produzir avaliações sobre os níveis de competências emocionais, profissionais, intelectuais e cognitivas necessárias para que o exigível seja algo natural e sem traumas.
Encontrar-se com os sentimentos que nutrem o dever ético profissional é buscar a consciência necessária para dominar o conhecimento, ter posse relativa do saber, percepção integral do objeto de trabalho e traçar seus objetivos voltados à qualidade ou eficácia das tarefas. Não se deve esquecer os limites do cumprimento dos deveres e das condições pelas quais o dever da ética fica comprometido pelas circunstâncias alheias à vontade humana, permitindo que forças externas se sobreponham.
Os “achismos do quase bom” ou das intenções por negligência, que levam a aceitar o “menos mal” não podem ser justificativa para o trabalho ineficaz. O alcance da plenitude ética é decorrente do êxito profissional e do caminho percorrido pela prática valorosa e virtuosa em interação humana, social e institucional, interagindo com suas competências intrapessoais voltadas para o êxtase das realizações e aos sentimentos do dever cumprido. É dessa matriz que surgem o zelo e a busca constantes da excelência que faz o grande encontro com os sentimentos de lealdade com aquele que é beneficiado. Cada virtude identifica uma capacidade desejável ou uma habilidade necessária que enseja deveres a cumprir, sempre de acordo com a natureza de uma determinada tarefa, normalmente normalizada no interesse de grupos profissionais.
A qualidade do desempenho das tarefas vai identificar uma relação entre o caráter do profissional e o exercício de sua profissão. Qualquer profissão, dentro das doutrinas morais ou da ética, requer uma visão holística de mundo onde o micro social interage com o macrossocial e em todas as relações imagináveis do indivíduo. Ainda, é através da profissão exercida que se consegue a liberdade do processo de dominação ou nos instalamos através dela, podendo chegar até o absolutismo ostensivo ou à ditadura.
Pela profissão exercida, abrem-se as dimensões dos “saberes das conveniências isoladas”, de grupos ou ambiências ligadas às causas e efeitos humanos próprios, capazes de construir sucessos ou fracassos nas múltiplas relações interpessoais e intrapessoais geradas no tempo e espaço e que, permanentemente exigem reflexões de conduta ética.